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Balança das palavras PDF Imprimir e-mail
Escrito por Gonçalo Câmara   
11-Jul-2008
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Certamente, não há nada mais importante para um homem do que cuidar das palavras que diz. São elas que, diariamente, escrevem nossos rastros na estrada da vida.
Conta-se que um homem, ao morrer, encontrou-se num vasto campo, onde outras almas aguardavam que os anjos do Céu viessem buscá-las.
Embora essas almas viessem de todas as partes do mundo, falavam uma só língua. Bem na frente da fila, ele pôde ver que umas poucas subiam alegres para o Céu, enquanto muitas, aos gritos, eram levadas para um grande abismo.

“Meu Deus”, pensou ele, “para onde irei? Para onde serei levado quando chegar minha vez?”
Enquanto olhava atentamente o destino das almas, ele reparou que para cada uma havia uma balança de pratos que, ora pendia para um lado, ora para o outro, decidindo, assim, o destino daquela pessoa.
Muito aflito, perguntou a quem estava ao seu lado: “Você saberia me dizer o que significa aquela balança, o que ela pesa?”
“Não sei ao certo”, respondeu o outro, “mas acredito que seja a balança da caridade. Ela pesa a quantidade de caridade que alguém pratica na vida. Se alcançar um determinado valor, a pessoa é levada para o Céu. Se não, vai para as trevas.”

“Não”, disse a alma da frente que ouviu a conversa. “Não pode ser a balança da caridade. Eu morri num acidente de trem com muitas outras pessoas. Viajava conosco um homem muito rico. Ele era famoso por toda caridade que fazia. Construiu igrejas, hospitais, orfanatos e escolas. Mas, para minha surpresa, vi que a balança pendeu contra ele, lançando-o no abismo. No entanto, uma senhora idosa, que se sentava ao meu lado no trem e que era muito pobre, foi levada para o Céu.”
“Talvez, então, seja a balança da pobreza, e só os pobres sobem para o Céu”, concluiu o homem.
“Assim sendo, creio que subirei, pois tudo que tive na vida foi um bom emprego, uma boa casa e um bom carro. Não tive a vida de riqueza e luxo que muitos tiveram.”

“Mas veja,” disse o outro, “em relação a tantas pessoas que viveram pelas ruas, sem emprego, sem casa e sem carro, você foi rico. E eu também; e isso me assusta a cada passo que me aproximo da balança. Quem foi realmente pobre ou realmente rico?”
“E, você tem razão! Não faz sentido ser a balança da pobreza, ou da riqueza. Como também não faz sentido ser a balança da beleza, da sabedoria, dos méritos, da força, da arte ou da ciência. Vivi tantos anos, conheci tantas coisas, fui um bom cidadão, no entanto agora vejo que o mais importante da vida me passou despercebido. Eu tinha que me preparar para essa balança que nem sei o que pesa.”
Naquele ambiente de aflição, havia um homem na fila que tinha paz. Seu rosto era tranqüilo e seus olhos tinham um brilho radiante. Aquela alma desesperada se aproximou dele e implorou: “Tu, entre todos nós aqui, és o único que parece estar confiante que não serás lançado no abismo. Dize-nos: sabes o que pesa aquela balança?”

“Certamente que sim. Eu sabia que ela estaria na porta de entrada do Céu. Essa é a balança das palavras. Ela pesa tudo o que dissemos em nossa vida terrena. As boas palavras e também as palavras frívolas de cada um de nós. Ora, a boca fala do que o coração está cheio. São portanto, as palavras a expressão do coração de cada um, e são ela que nos condenam ou nos absolvem”, explicou o homem confiante.
“Mas como podes ter certeza de que falaste nos tantos anos de vida, mais palavras boas que más? Nos momentos de aflição, de raiva ou de simples conversas alheias, é tão comum se falar palavras frívolas! Quem te garante que a balança penderá para o teu lado?”

“Certamente, a balança penderá para o meu lado e não há a menor dúvida no meu coração. Entre todas as palavras que existem, há aquelas que pesam mais que qualquer outra; são as mais lindas que disse em toda a minha vida e vieram do mais profundo do meu coração. Elas têm peso maior do que qualquer outra palavra frívola que porventura, eu tenha pronunciado em um momento de fraqueza.”
“Dize-me, então, que palavras são essas, talvez eu as tenha dito.”
“Amigo, creio que, se algum dia as tivesse pronunciado, jamais as teria esquecido. As palavras são: Jesus Cristo, eu Te aceito como meu salvador pessoal. Entrego-Te a minha vida de todo o meu coração. Salva a minha alma, Senhor, porque sou um pecador.”
Disse Jesus: “Digo -vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.” (Mateus 12.36, 37)
Bp Marcelo Crivella




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